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Hela | Moda e tendências

Um olhar diferente sobre a moda. ✨ Aqui falamos de moda, tendências, opiniões e muito mais.

27
Ago19

Offline por uma semana

Será possível ficar longe das redes sociais?

Tita Vicente

Quando fui ao Gerês fiquei meio que privada das redes sociais por dois motivos: a rede era fraca na maioria dos sítios onde estive e porque estava mais focada em conviver com as pessoas em vez de com o telemóvel. Dois dias se passaram nesta aventura e quando regressei a Lisboa, decidi que na segunda feira iria apagar as redes sociais do meu telemóvel - sendo que eu já só tenho a aplicação do Instagram - e que iria iniciar um processo de uma semana longe das redes sociais.

O primeiro dia foi muito engraçado porque o meu cérebro automaticamente sempre que desbloqueava o telemóvel para fazer algo me induzia a ir procurar a aplicação. É algo que já faz tanto parte do nosso quotidiano seja ao acordar, para as pequenas pausas do trabalho, para quando estamos naquelas horas de tédio que é algo automatizado completamente. Foi um dia tranquilo, confesso que não senti grande falta e tentei ocupar os tempos que usava para o insta com outras coisas mais produtivas.

Já estava no meu quarto dia sem redes sociais e tive de voltar a instalar a aplicação no telemóvel porque me inscrevi num curso onde dão algumas dicas extras através dos stories e então eu precisava de pelo menos ver esse perfil. Confesso que mesmo depois da aplicação instalada ao telemóvel recorri muito menos vezes a ela para “matar” os tempos mortos onde habitualmente a usava. Aprendi a usar esses tempos para ouvir - e estar mais concentrada - em podcasts, instalei um jogo de palavras que estimula o cérebro, passei a estar mais atenta ao que me rodeava.

O balanço final de uma semana “longe” das redes é positivo. Apesar de não ter cumprido totalmente o meu objetivo inicial de uma semana completa de detox social, acho que foi uma experiência positiva só pelo facto de me obrigar a pensar e agir de outra forma. Agora o Instagram já não é a primeira aplicação que eu abro quando acordo, nem a primeira que procuro quando desbloqueio o telemóvel. Aliás alguns amigos chegaram mesmo a dizer que notaram que eu estava mais ausente das redes o que me deixou feliz, pois percebo que cumpri uma parte do meu objetivo com este afastamento.

E ai, alguém já tentou fazer algo parecido ou pensou em fazer?

15
Ago19

O privilégio de estar offline

Tita Vicente

Estar offline hoje em dia é um privilégio reservado a certas pessoas que são "loucas" o suficiente para conseguir estar desligadas do mundo. Quem é que hoje em dia não tem Facebook, Instagram ou Whatsapp? Praticamente ninguém, sobretudo nas gerações mais novas. Estar online passou a fazer parte das nossas vidas tanto como beber água ou comer para sobreviver. 

Sou de 1995, ou seja, eu ainda me lembro um pouco da vida antes da internet fazer parte de tudo. Eu lembro-me de como era o telemóvel servir só para mensagens e chamadas, não existirem redes sociais e a vida era boa sem isso. O nosso tempo era gasto em outras coisas e as pessoas eram mais "reais", na minha opinião. Mas depois a internet começou a fazer parte das nossas vidas. As redes sociais começaram a surgir uma atrás da outra. A nossa vida passou a ser feita de forma online. Não me interpretem mal, a internet trouxe-nos coisas muito boas, aproximou-nos muito mais em certos pontos, mas não podemos ser hipócritas e não pensar nos pontos negativos que ela também introduziu. 

É muito bom usar o Whatsapp para falar com a nossa família que vive do outro lado do mundo ou com os nossos amigos que estão todos "dentro" do mesmo chat para ser mais fácil trocar ideias. Mas o Instagram e o Facebook, por exemplo, trazem-nos cada vez mais pontos negativos. Já se aperceberam ou pararam para ver quantas horas passam no Instagram? Quantas horas perdem a fazer scroll a ver fotos e vídeos de outras pessoas? Quantas vezes já olharam para o feed de alguém e sentiram "inveja" da vida de outra pessoa com base no que ela publica? A resposta deve ser sim, pelo menos uma vez. Eu já o fiz e a maioria dos meus amigos também. 

Nos tempos que correm o Instagram tornou-se um vício para a maioria das pessoas, eu própria já fui uma viciada, eu passava horas a fazer scroll no feed seguia mil e uma pessoas que as vidas pareciam perfeitas e que no fundo deveriam ter problemas como as de toda a gente. Na vida online só existem momentos perfeitos, momentos bons, não existem dias maus. Tudo o que é publicado é escolhido por nós para transmitir sempre a ideia de uma vida boa e super bem aproveitada. É por isso que acho cada vez mais importante fazer uma seleção nas pessoas que seguimos. Seguir cada vez mais pessoas reais, influenciadores bons que partilham conteúdo realmente bom e que nos irá de certa forma ajudar ou fazer pensar. 

Hoje controlo o tempo que passo nas redes sociais, impus limites no telemóvel do número de horas que me é permitido estar e tento de tempo em tempo diminuir esse limite para o meu cérebro se ir habituando a cada vez passar menos tempo ao telemóvel. Nem sempre sou bem sucedida, tenho dias que simplesmente opto pela opção de "ignorar limite de tempo", mas tento que essa opção seja cada vez menos usada. 

Eu aprendi que estar offline é cada vez mais um privilégio.