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Hela | Moda e tendências

Um olhar diferente sobre a moda. ✨ Aqui falamos de moda, tendências, opiniões e muito mais.

29
Out19

O sapinho ajuda a comunidade #6

Tita Vicente

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Podiam ser mais dois destaques simples, mas estes têm um sabor especial por ser um tema tão importante e sobretudo por contar a história de uma mulher que lutou e venceu o cancro e que decidiu contar a sua história para mostrar que a prevenção pode ser a chave para esta batalha. Novamente um obrigado gigante à Isa que embarcou comigo nesta aventura e que respondeu a tudo o que lhe perguntei sem rodeios. Sem ela este projeto não teria sido tão especial. E obrigado ao Sapo, por dar destaque a assuntos tão importantes. 

24
Out19

#Outubro Rosa | O cancro contado em primeira mão

A Isa venceu esta batalha e numa entrevista ela contou o seu processo pessoal.

Tita Vicente

banner #outubrorosa #Isa.pngArte criada por mim. Imagens retiradas do Pinterest.

 

Confesso que provavelmente teria perdido a motivação de fazer este especial #OutubroRosa se a Isa não tivesse aceitado dar-me esta entrevista. Sinto que ter o ponto de vista de alguém que viveu esta história de perto é essencial e que acaba por ter ainda mais impacto na vida do outro e poderá ser o gatilho para a mudança de muita gente.

Para quem não sabe a Isa é a dona do blogue, Lost in Wonderland, e ela já travou uma batalha contra o cancro da mama. O caso dela teve um final feliz, pois foi um cancro detetado precocemente. É por esta razão que alertei durante todas as publicações para a importância da prevenção.

São sete perguntas que abordam desde a descoberta à dificuldade em encontrar artigos em português sobre o assunto. Falou-se um pouco de tudo o que acho que é importante para alertar e para dar a conhecer o ponto de vista dela. A entrevista está aqui em bruto, sem qualquer alteração, pois acredito que só faz sentido com respostas feitas na primeira pessoa.

 

Como foi que descobriste? Já fazias prevenção antes ou foi por “um acaso”?

Foi por volta dos 27 ou 28 anos que iniciei a chamada prevenção secundária (feita com recurso a exames de diagnóstico por imagem). Na consulta anual de ginecologia, pedi à médica que incluísse uma ecografia mamária nos exames de rotina, e continuei sempre a pedi-la, mesmo com os exames a saírem limpinhos ano após ano.

Com o passar dos anos, começaram a surgir alguns achados benignos (quistos), e cujo desenvolvimento foi sendo acompanhado. Aos 36 fiz a primeira mamografia por sugestão do médico de imagiologia. Normalmente é aconselhada a partir dos 35-40 anos.

Portanto, sim! Foi graças à prevenção que o meu cancro foi apanhado tão cedo, quando ainda nem sequer era palpável, e numa fase em que era perfeitamente curável, sem necessidade de tratamentos muito agressivos.

 

Qual foi a tua reação inicial? No blogue abordas o tema de uma forma bastante diferente do comum. Sempre com uma mensagem positiva, de esperança.

Não tenhas dúvidas que este foi o maior susto que apanhei em toda a minha vida... Uma coisa é estares confortável com a ideia que possa, eventualmente, um dia quem sabe, acontecer, até porque fazes os possíveis para levar um estilo de vida saudável, sem comportamentos de risco, e não tens antecedentes na família. Outra, é receberes a noticia.. Naquele momento, perdes o chão, simplesmente congelas... psicologicamente, é muito violento.

Quando o susto começou a dissipar, e comecei a voltar a mim, abordei o problema como todos os outros que me aparecem pela frente: como um desafio que tenho para superar. Ter um mindset orientado para a resolução de problemas fez toda a diferença, foi só preciso arranjar forma de mandar a ansiedade ir dar uma curva, para não atrapalhar o processo.

A forma como cada um vive a doença é muito própria. Se fores naturalmente pessimista, com tendência para a vitimização, vais sentir mais dificuldades durante o longo processo do tratamento. Se por outro lado fores descontraída, optimista, e não de deixares abalar pelos desafios que a vida te coloca no caminho, a história é completamente diferente.


Existiu algum momento em que pensaste que aquilo poderia ser uma batalha que irias perder?

Se te respondesse que "não", estaria a mentir. Acho que essa ideia vem sempre ao de cima, por mais optimista que seja o prognóstico. Porque até passares pela parte da cirurgia e chegar o resultado da patologia, ninguém tem bem a certeza do que pode estar lá. E eu prefiro segurar as minhas emoções num ponto, do que as deixar andar em carrocéis.

E mesmo hoje, apesar de me terem garantido que estava curada, não nego que tenho uma preocupaçãozinha sempre presente, ali no fundo da mente, de que alguma célula possa ter escapado, e ter adquirido as mutações necessárias para invadir outras partes do corpo. Tento não pensar muito no assunto para não ter ansiedade às contas disso, mas esta preocupação também serve de alerta para andar atenta a qualquer sintoma fora do normal, e ir logo a correr ao médico.

 

Qual foi o pensamento que sempre permaneceu durante os tratamentos para te ajudar a vencer a batalha?

Encarei todo o tratamento, não pela perspectiva da batalha, mas como se de uma experiência científica se tratasse. Quis saber tudo o que há para saber, andei tão ocupada a aprender, e a perceber as reacções do corpo, que não sobrou tempo para outro tipo de pensamentos. Vi a informação como uma aliada, para perceber tudo o que me estava a acontecer. 


Como foi lidar com a família e com as suas próprias “expectativas”. Por exemplo, se houve alguém de quem te tenhas afastado um pouco por não estar a transmitir-te a ideia de esperança e positividade num assunto tão complicado?

Tentei poupar a família ao máximo, por inúmeras razões, entre elas, preocupação excessiva desnecessária. E como não tive que fazer tratamentos de quimioterapia e o cabelo não ia cair, preferi manter a coisa low profile, principalmente porque não queria saber de bitaites (existe uma ignorância abismal a respeito do cancro), nem de ouvir histórias de parentes que também tiverem a doença. Temos que estar concentrados em nós e na nossa saúde, não em andar a gerir as emoções que possam surgir nos outros devido à nossa doença. Pode parecer egoísta da minha parte, mas evitamos situações desagradáveis e até desconfortáveis.

 

Achas que existe ainda alguma falta de informação disponível? Seria importante as associações de apoio criarem separadores dentro dos seus sites com mais informações e mais atualizadas?

Na minha opinião, não estamos bem servidos informação sobre cancro (num todo, não só da mama). Se pesquisarmos com alguma persistência, até conseguimos encontrar alguns projectos, mas no geral são bastante incompletos, e por vezes até desactualizados. Alguns sites de hospitais e instituições ligadas à saúde até têm secções sobre cancro, mas a informação está dispersa, e o tema é explorado de forma superficial. Em sites onde até existe alguma informação, como o da Liga Portuguesa Contra o Cancro, nem sempre são fáceis de consultar, pois têm demasiadas secções diferentes, e perdemo-nos muito facilmente. 

Não é que não exista informação na nossa lingua, que existe e até com muito boa qualidade (embora tenha algumas dúvidas quanto à atualização, pois não mostram a data da última revisão). Tenho uma colecção de PDFs e DOCs que estavam refundidos em páginas das especialidades e outras coisas bastante técninas, que nunca chegaria lá sem fazer pesquisas ultra especificas no Google. Mas lá está, eu sei o que pesquisar, outras pessoas terão mais dificuldade, em chegar lá e até interpretar este tipo de informação. 

Precisamos de um American Cancer Society (https://www.cancer.org/) ou de um Cancer Research UK (https://www.cancerresearchuk.org/), um portal exclusivamente dedicado ao grupo de doenças caracterizadas por cancro, com conteúdos de qualidade, escritos em linguagem clara e objectiva, e em permanente actualização. Um sitio que se tornasse numa referência, para quem se vê confrontado com a doença, encontrar facilmente informação relevante.

Infelizmente, sei que fazer algo dentro deste género, bem feito, não é fácil... e não creio que uma associação consiga ter recursos para tanto, pois tem que envolver muita gente, incluindo muitos profissionais ligados à medicina.

 

Tens alguma mensagem que queiras deixar as pessoas que declinam a prevenção, mesmo sabendo que um diagnóstico precoce pode ser crucial para que esta luta seja superada?

Não vou dizer nada que ninguém não tenha ouvido já: aproximadamente 1 em cada 10 mulheres vai ter cancro da mama, é a segunda causa de morte entre as mulheres de todas as idades. A prevenção primária (manter estilo de vida saudável e não ter comportamentos considerados de risco, como fumar ou ingerir álcool) nem sempre é suficiente para manter a doença à beira, porque há um conjunto de pequenos factores, que nem sempre conseguimos evitar, e que juntos podem causar estragos. É por essa razão que devemos também apostar na prevenção secundária, e pedir exames de rotina aos nossos médicos, mesmo que não tenhamos sintomas.

 

Espero que tenham gostado tanto da entrevista como eu gostei de faze-la. Se quiserem saber mais um pouco da jornada da Isa ou das suas peripécias de vida não deixem de acompanhá-la no seu blogue!

23
Out19

#Outubro Rosa | O autoexame da mama

Este é o exame que deves inserir na tua rotina mensal.

Tita Vicente

Um mês cor de rosa.pngArte criada por mim. Imagens retiradas do Pinterest.

 

Já falei da importância da prevenção e da consciencialização sobre este assunto e hoje venho falar de uma coisa que une todas as publicações, o autoexame da mama. Este é o método mais “primário” de prevenção. Várias pessoas foram comentando que têm algumas dúvidas sobre como é feito este autoexame, por isso, eu pesquisei um pouco sobre o assunto e reuni aqui algumas das informações que achei mais importantes e relevantes.

Quanto mais vezes fizerem este reconhecimento do nosso corpo, mais fácil será para nós detetar se existe algo de errado ou não. Devemos sempre lembrar-nos de que a mama é um órgão que difere de mulher para mulher, da nossa idade e de toda uma panóplia de fatores. Não fiques alarmada logo de início se a tua não for igual “à da vizinha”, como se costuma dizer. Se vires algo de errado por favor contacta o teu médico de família e diz o motivo da consulta.

 

Com que frequência devemos fazer o autoexame?

A maioria dos sites diz-nos que devemos inserir isto na nossa rotina mensal. Ou seja, todos os meses deveríamos fazer esta apalpação e, alguns sites, recomendam também que se faça uma semana após o fim da menstruação, no caso de esta ser regular. Se não é o vosso caso, devem estabelecer um dia na vossa agenda para o fazerem. Podem sempre colocar um alerta no telemóvel para ajudar a inserir este hábito.

 

Como é que ele é feito e durante quanto tempo?

Recomenda-se que para fazermos a apalpação estejamos de pé e em frente a um espelho. Deixei aqui em baixo também uma imagem ilustrativa feita pela C&A que demonstra muito bem o passo a passo. É aconselhável também que estejamos calmas, relaxadas e que não exista a possibilidade de sermos interrompidas. Devemos demorar cerca de 10 minutos a fazer este autoexame.

 

transferir.jpgCrédito: C&A

 

E se eu achar que está algo de errado?

Se sentires isto liga imediatamente para o teu centro de saúde e explica o motivo da marcação da consulta, tal como disse anteriormente. Digo isto, pois, no meu caso é extremamente difícil marcar consulta com a minha médica de família, por norma tenho de fazer a marcação com pelo menos um mês de antecedência. No entanto, quando isto aconteceu, expliquei à funcionária o motivo e ela rapidamente agendou-me uma consulta de emergência com a minha médica de família para podermos discutir a situação.

 

Espero que este post te tenha ajudado e que novamente te encoraje a tornar isto uma parte da tua rotina, combinado?

22
Out19

#Outubro Rosa | Dar a cara pela causa

No mundo da moda existem várias marcas a apoiar iniciativas.

Tita Vicente

Um mês cor de rosa.pngArte criada por mim. Imagens retiradas do Pinterest.

 

Depois de consciencializar para a prevenção venho falar de marcas que dão o seu nome e o seu produto pela causa. Desde que decidi que iria abordar mais sobre moda no blogue percebi que durante esta semana especial deveria dar a conhecer marcas que criam produtos em que uma parte do lucro reverte para a causa. São inúmeras, sejam elas internacionais ou nacionais, as que emprestam o seu nome e fazem um apelo direto aos clientes para obterem o produto e assim, estarem a contribuir.

De marcas nacionais contamos com a presença da MO – anteriormente conhecida por Modalfa – que se vende dentro do supermercado Continente. Para esta campanha a ilustradora Clara Não, desenhou três modelos de t-shirts com frases diferentes. Já para dar a cara pela iniciativa, a marca escolheu nada mais, nada menos do que a Cristina Ferreira. As t-shirts têm um preço de 7,99€ e desse valor, 3€ são doados ao IPO.

 

mr-img-02.jpgCréditos:  MO

 

Já a C&A inovou ainda mais e levou a sua campanha a um nível de intimidade maior. A marca comprometeu-se a alertar mensalmente para a importância o autoexame. Cada pessoa que comprasse um sutiã, entre os dias 18 e 20 de outubro, e fornece-se o seu contacto, a marca comprometeu-se a enviar um SMS de alerta. Uma iniciativa diferente, porém, de extrema importância, relembrando, tal como eu já disse na publicação anterior, a importância da prevenção.

 

transferir (2).pngCréditos: C&A

 

A Ralph Lauren, por sua vez, criou o mote “Together in Pink” e há mais de 30 anos que é uma das principais divulgadoras e apoiantes. Do custo de cada peça, 25% é doado e existe ainda uma t-shirt que reverte 100% do valor. Ambas as doações revertem para o Pink Pony Fund, criado em 2000 pela marca, que apoia vários programas que ajudam mulheres nas diferentes fases do processo.

 

transferir (1).jpgCréditos: Ralph Lauren

 

A última marca de que vos vou falar é a Vans. Os seus fundos revertem a favor de uma instituição britânica que alerta e promove a deteção precoce: CoppaFeel! e que pretende diminuir a deteção tardia do cancro da mama tornando todos mais conscientes. A coleção está disponível para homens, mulheres e crianças como slogan “You got this”.

 

190926-BreastCancer-22.pngCréditos: Vans

 

Existem mais marcas que apoiam a causa, como é o caso da Savage X Fenty e da Womens Secret e algumas que nem são do mundo da moda: Ausonia, Easey Jet ou o Hard Rock Café. A verdade é que existem cada vez mais marcas a conectarem-se com o seu público através do apoio a várias causas.